O que a Ciência nos diz sobre Exercício e TEA

O que a Ciência nos diz sobre Exercício e TEA

Por Marcelo Filipe
20 de abril de 20265 minutos de leitura

Prescrição de exercícios físicos no TEA: uma intervenção terapêutica estratégica

No universo do Transtorno do Espectro Autista (TEA), a prescrição de exercícios físicos transcende a busca por aptidão física; trata-se de uma intervenção terapêutica estratégica.

A literatura científica contemporânea é enfática:
não existe uma “receita de bolo” para a prescrição de exercícios físicos, mas sim a necessidade de uma prática baseada em evidências, que respeite a individualidade biológica e comportamental.

A atividade que gera os melhores resultados é, invariavelmente, aquela que possui maior aceitação e engajamento por parte da criança ou do adolescente (Mirza et al., 2022).

Estratégias eficazes: o papel do movimento na prática clínica

Nesse cenário, estratégias lúdicas e rítmicas ganham destaque.

A dança, por exemplo, não é apenas lazer;
ela atua como um tratamento psicoterapêutico do movimento, integrando:

  • Emoções
  • Coordenação
  • Habilidades de espelhamento

Fundamentais para a interação social (Chen et al., 2022).

Da mesma forma, intervenções motoras estruturadas têm demonstrado eficácia na correção de atrasos no desenvolvimento, melhorando significativamente habilidades motoras fundamentais, como:

  • Locomoção
  • Equilíbrio

(Ji et al., 2023)

Como estruturar a prescrição de exercícios no TEA

Para o profissional que busca resultados consistentes, o guia de recomendações de Srinivasan, Pescatello e Bhat (2014) oferece um norte seguro.

A prescrição deve equilibrar:

  • Treinamentos aeróbicos
  • Treinamentos de força
  • Exercícios de flexibilidade

📅 Frequência recomendada: 3 a 5 vezes por semana
Duração: 40 a 60 minutos por sessão
🔥 Intensidade: moderada a vigorosa

Essa sistemática não apenas aprimora o condicionamento cardiovascular, mas também atua diretamente na:

  • Redução de comorbidades, como a obesidade
  • Melhoria da qualidade de vida

Impactos comportamentais e cognitivos

Um dos maiores benefícios observados na prática constante de exercício físico é a modulação comportamental.

As atividades sistematizadas atuam como uma ferramenta poderosa para:

  • Redução de estereotipias
  • Diminuição de comportamentos repetitivos
  • Melhora da regulação emocional

(Ferreira et al., 2019)

Quando a criança se movimenta de forma planejada, há:

  • Aumento da concentração
  • Melhor elaboração das funções cognitivas

O papel da individualização e da família

Contudo, para que esses benefícios sejam sustentados, é preciso romper com metodologias convencionais.

O planejamento deve ser:

  • Flexível
  • Adaptado às demandas sensoriais de cada indivíduo

(Sefen et al., 2020)

Além disso, o envolvimento familiar é um divisor de águas:

➡️ Pais fisicamente ativos influenciam diretamente o engajamento dos filhos
➡️ Combatem o sedentarismo
➡️ Fortalecem o bem-estar do núcleo familiar

(Couto, 2016)

 

Conclusão: exercício como ferramenta de autonomia

Portanto, prescrever exercício para o TEA é projetar autonomia.

É utilizar o esporte e o lazer para:

  • Reduzir transtornos mentais associados
  • Promover desenvolvimento funcional
  • Ampliar a qualidade de vida

O movimento é, sem dúvida, o elo que faltava entre a reabilitação clínica e a inclusão social plena.

Autor

Prof. Dr. Carlos Eduardo Lima Monteiro
Doutor em Ciências
Mestre em Ciências da Atividade Física

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